Vetada no MDB e sem rumo definido, Simone Tebet patina enquanto o relógio eleitoral corre
Sem vice e sem palanque: a incômoda indefinição de Simone Tebet na reta final das filiações.
Sem vice e sem palanque: a incômoda indefinição de Simone Tebet na reta final das filiações. A indefinição da ministra Simone Tebet sobre onde irá concorrer nas eleições deste ano já ultrapassou os limites do razoável. A senadora licenciada e cotada para ser vice de Lula na chapa presidencial parece paralisada diante de um cenário que, para qualquer observador atento, já está desenhado há semanas: o MDB sul-mato-grossense não a quer como candidata no estado, e o diretório nacional da sigla praticamente fechou as portas para uma aliança com o PT.
Na terça-feira, 16 diretórios estaduais do MDB, incluindo o de Mato Grosso do Sul, assinaram um documento vetando qualquer composição com o PT na chapa presidencial. O movimento atinge diretamente Simone, que era uma das principais cotadas para compor como vice de Lula, ao lado de Renan Filho. Com o veto, a ministra fica mais perto de trocar de legenda – e, ao que tudo indica, de estado também.
Simone aguarda uma reunião entre Lula e Fernando Haddad para decidir seu futuro. Enquanto isso, o calendário eleitoral avança implacável. O prazo para mudança de partido ou de domicílio eleitoral termina em 4 de abril, e a ministra ainda não definiu se disputará o Senado por Mato Grosso do Sul ou por São Paulo. No estado paulista, ela poderia reforçar a campanha de Lula no maior colégio eleitoral do país, possivelmente pelo PSB. Já em terras sul-mato-grossenses, enfrentaria resistência até mesmo de correligionários: deputados do MDB já ameaçam deixar a sigla caso ela seja candidata com o apoio do PT.
O que parece faltar a Simone Tebet é a mesma determinação que ela demonstrava nos palanques durante sua campanha presidencial. A política exige decisões, e decisões exigem timing. A demora em escolher um caminho não apenas fragiliza sua posição, mas também transmite ao eleitor a sensação de que falta convicção à ministra.
Se quer ser candidata em Mato Grosso do Sul, que encare a briga com o diretório e coloque seu nome à disposição. Se prefere São Paulo, que anuncie logo a mudança e comece a construir sua campanha no estado mais desafiador da federação. O que não dá é para ficar nesse eterno "vai ou não vai", enquanto o tempo passa e o país precisa de lideranças que saibam o que querem – e onde querem chegar.



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