Simone Tebet aguarda Lula para definir se disputa Senado por MS ou SP
Simone é carta no baralho eleitoral de Lula, mas pode 'virar mesa' do PT se disputar em MS. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), entrará na reta final das definições sobre seu futuro eleitoral nesta semana. Enquanto o prazo para desincompatibilização do cargo se aproxima, cresce a expectativa sobre qual será o palanque da emedebista nas eleições de outubro. Em conversa com o Jornal Midiamax, Tebet afirmou que sua preferência é disputar uma vaga no Senado — mas ainda não decidiu se por Mato Grosso do Sul ou São Paulo.
Na última sexta-feira (27), após o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ganhar força nos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o governo paulista — cargo para o qual Tebet também foi cogitada —, a ministra adotou tom de espera. “Ainda não conversei com o presidente Lula. Acredito que até o final da semana que vem. Acho que vão decidir semana que vem. Não tenho decisão até falar com o presidente”, afirmou.
Palanque independente e resistências internas
Antes de qualquer anúncio, Simone precisa acomodar interesses dentro do próprio MDB. A legenda não tem consenso entre os diretórios regionais para compor um palanque unificado com Lula. Em Mato Grosso do Sul, correligionários já sinalizaram que, se for candidata no estado, Tebet terá que estruturar um “palanque independente”.
Isso porque o MDB local deve apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PSDB), que também terá como aliado o PL — partido adversário do projeto de reeleição de Lula. Diante desse cenário, o PSB, legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin, surge como alternativa confortável para abrigar a ministra.
Embora cortejada pela sigla, Simone desconversa: “O PSB já havia me convidado no final do ano passado. Mas a decisão só depois que falar com o presidente”.
O fator São Paulo
Outra variável importante é a possibilidade de Tebet disputar o Senado por São Paulo, o que exigiria mudança de domicílio eleitoral. Pesquisas internas indicam que a ex-senadora sul-mato-grossense tem potencial para atrair votos ao projeto petista no estado mais populoso do país.
Com projeção nacional conquistada na eleição presidencial de 2022 — quando ficou em terceiro lugar, com 4,9 milhões de votos (4,16%) —, Tebet carrega ainda a vantagem de ter em Três Lagoas, sua base eleitoral, uma cidade com forte relação econômica e geográfica com o oeste paulista.
“Quero ser candidata ao Senado”, afirmou a ministra ao Midiamax, reafirmando o desejo de retornar à casa onde atuou entre 2015 e 2023.
Impactos no tabuleiro de MS
Enquanto Simone aguarda o aval de Lula, o PT estadual já desenha seu plano para a sucessão. A cúpula regional aposta na candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado, com uma dobradinha ao lado da senadora Soraya Thronicke (Podemos). A ex-bolsonarista, que encerra o mandato neste ano, tem sido cortejada por petistas para uma migração ao PSB e deve compor o palanque governista.
Caso Lula decida por manter Simone em Mato Grosso do Sul, o cenário sofre reviravolta. A ministra, que recentemente acompanhou o presidente em viagem ao Panamá, revelou que nas seis horas de voo até o país caribenho o papo foi eleição. Em São Paulo, além dela, Lula também conta com o apoio da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), para compor seu palanque.
A semana promete movimentar o xadrez eleitoral. Resta saber em qual casa Simone Tebet vai jogar.



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