Rejeição a Lula avança e desaprovação atinge 53,5%
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A crise de popularidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu um novo patamar. Levantamento divulgado nesta semana revela que a desaprovação ao governo federal chegou a 53,5%, consolidando um movimento de deterioração da imagem do presidente que se acelera desde o segundo semestre de 2025. Trata-se do pior índice de avaliação negativa registrado até agora no terceiro mandato do petista, superando pela primeira vez, em algumas pesquisas, a marca dos 50% e ultrapassando a margem da aprovação, que estagnou em patamares inferiores a 42%.
Os números refletem um desgaste multifatorial. A insatisfação popular é alimentada por uma combinação de fatores que incluem a persistência da inflação no setor de alimentos, a sensação de estagnação econômica apesar das promessas de retomada do crescimento, e uma sucessão de crises políticas que contaminaram a relação do Planalto com o Congresso e com a opinião pública. Escândalos envolvendo aliados, idas e vindas na comunicação oficial e a percepção de falta de controle sobre os gastos públicos têm corroído a confiança de parcelas significativas do eleitorado, inclusive entre aqueles que foram fundamentais para a vitória de 2022, como as classes média e trabalhadora.
Analistas políticos apontam que a alta rejeição representa um ponto de inflexão perigoso para o governo. Diferentemente do início do mandato, quando o presidente gozava de uma "lua de mel" com a população e alta aprovação por conta da rejeição ao governo anterior, o cenário atual mostra um eleitorado mais crítico e impaciente. A estratégia de priorizar viagens internacionais e acenos a setores ideológicos em detrimento de entregas concretas na área econômica e de segurança pública é apontada por cientistas políticos como um dos principais fatores para o distanciamento da base popular.
Nos bastidores, a ala política do governo já admite que a marca de 50% de desaprovação é um alerta vermelho. O temor é que, se o quadro não for revertido até o segundo semestre, isso possa comprometer não apenas a governabilidade no Legislativo, mas também o desempenho de candidatos aliados nas eleições gerais de 2026. A tentativa de reverter a curva negativa tem esbarrado em um dilema: a necessidade de cortar gastos para agradar ao mercado financeiro (e tentar conter a alta dos preços) contrasta com a pressão da base aliada para aumentar investimentos sociais e retomar a popularidade perdida.
Para os adversários, os números são um combustível para a campanha eleitoral. O presidente da República, que construiu sua trajetória política sobre a base da popularidade, enfrenta agora o desafio de reconquistar a confiança de um eleitorado que parece cada vez mais convencido de que o terceiro mandato não correspondeu às expectativas geradas. Com a desaprovação batendo em 53,5%, a corrida eleitoral de 2026 já começa a ser desenhada sob o signo do descontentamento e da pressão por mudanças profundas nos rumos do país.



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