Conversas revelam que banqueiro Daniel Vorcaro transferiu mais de US$ 100 milhões para ex-noiva
Banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a sua ex-noiva Martha Graeff. O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, transferiu para a ex-noiva Martha Graeff um patrimônio que pode ultrapassar US$ 100 milhões — o equivalente a mais de R$ 520 milhões — por meio de uma estrutura de proteção patrimonial constituída nos Estados Unidos. As informações constam em trocas de mensagens entregues à CPMI do INSS, que investiga possíveis irregularidades no sistema previdenciário e movimentações financeiras atípicas.
De acordo com os diálogos, Vorcaro foi o responsável por articular a abertura de um trust — instrumento jurídico típico do direito anglo-saxão utilizado para gestão e proteção de ativos — em nome de Martha. O principal bem vinculado a essa estrutura é uma mansão localizada em Bay Point, em Miami, adquirida por US$ 86,5 milhões (aproximadamente R$ 450 milhões).
Além do imóvel de luxo, o banqueiro investiu US$ 10 milhões na Happy Aging, empresa voltada a produtos para "envelhecimento saudável" que Martha promovia em suas redes sociais e da qual figurava como sócia. Outros bens de alto valor teriam sido igualmente transferidos à influenciadora. Especialistas apontam que, caso seja comprovado que tais ativos são fruto de desvio de recursos, a legislação brasileira permite sua apreensão.
Procurada, a defesa de Martha Graeff não respondeu aos questionamentos sobre o trust ou a origem dos bens. Na semana passada, a influenciadora divulgou nota buscando se distanciar do ex-banqueiro, afirmando que o relacionamento havia terminado há meses. Na última quinta-feira, a CPMI aprovou a convocação de Martha e de diretores do Banco Master para prestar depoimento.
A constituição do trust e as dúvidas de Martha
As conversas revelam que, em dezembro de 2024, Vorcaro solicitou a Martha que fornecesse os dados de seu passaporte brasileiro a seus assistentes para dar início ao processo de abertura do trust em nome dela. As mensagens indicam que o casal visitou diversos imóveis até decidir-se pela compra da mansão de Bay Point, em outubro daquele ano.
Em uma das trocas, Vorcaro confirmou que o trust foi estruturado para que Martha figurasse como beneficiária, permitindo-lhe administrar o que ele chamou de "nossos ativos". No entanto, em julho do ano seguinte, ao ter acesso à documentação do trust, a influenciadora demonstrou confusão: compreendeu que a propriedade do imóvel por meio desse instrumento poderia ser revogada e que ela poderia deixar de ser beneficiária a qualquer momento.
A reação de Vorcaro foi de irritação. Diante das dúvidas, Martha justificou-se: "Amor, eu sou traumatizada. Eu nunca tive nada no meu nome. Ainda estou trabalhando pra comprar uma casa. Eu preciso entender e me sentir à vontade de perguntar". O banqueiro, porém, manteve-se irredutível, classificando os questionamentos como "surreais" e argumentando que não faria sentido constituir a estrutura em nome dela para posteriormente retirá-la. Com a insistência da influenciadora, ele sugeriu que ela "esquecesse o assunto" em nome da harmonia do relacionamento.
A retórica do patrimônio compartilhado
Em diversos momentos das conversas, Vorcaro reiterou a ideia de que a casa pertenceria a ambos. Quando a inspeção da mansão foi aprovada, Martha perguntou quando ele a compraria, e o banqueiro respondeu prontamente: "Eu não, nós". Em outra ocasião, reforçou: "Escolhemos e compramos juntos". A visão de patrimônio compartilhado era justificada por ele com a afirmação de que os dois agora seriam "um só".
A influenciadora, por sua vez, envolveu-se ativamente no projeto de reforma e decoração do imóvel, coordenando os trabalhos com os arquitetos Kiko Sobrino e Patrícia Anastassiadis. Participou da escolha de plantas, sugeriu modificações e solicitou espaços específicos, como academia, área para ioga e uma quadra de padel.



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