Azambuja tenta convencer Resende e Dagoberto a ficarem no PSDB
Parlamentares estudam sair da sigla após debandada. O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) articula nos bastidores para que os deputados federais Geraldo Resende e Dagoberto Nogueiras permaneçam no PSDB, mesmo após sua própria saída e a do governador Eduardo Riedel (PSDB) da legenda. A movimentação busca honrar, ainda que parcialmente, um compromisso assumido com o presidente nacional do partido, Aécio Neves (PSDB-MG).
Reinaldo havia prometido à cúpula nacional do PSDB que o trio de deputados federais do partido em Mato Grosso do Sul — composto por Beto Pereira, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende — continuaria na sigla. Como parte do acordo, o ex-governador também negociou que Beto Pereira assumisse a presidência estadual do partido.
No entanto, o plano começou a ruir quando Beto Pereira, mesmo após ter aceitado o comando da legenda a pedido de Reinaldo, decidiu deixar o PSDB. O deputado deve se filiar ao Republicanos, e o próprio ex-governador participa ativamente das negociações para acomodá-lo na chapa de candidatos a deputado federal da nova sigla.
Com a iminente saída de Beto, Dagoberto e Geraldo sinalizaram que também deixariam o partido. Diante disso, Reinaldo voltou a articular para convencê-los a ficar. O argumento utilizado é que a permanência da dupla amenizaria o descumprimento da promessa feita a Aécio Neves e ainda poderia viabilizar a eleição de ao menos dois deputados federais pelo PSDB em 2026.
Procurado pela reportagem, Dagoberto Nogueira afirmou que a decisão final deve ser tomada até a próxima sexta-feira, mas adiantou que ele e Geraldo Resende, muito provavelmente, permanecerão no partido.
Interferência de Reinaldo na presidência do PSDB
A permanência de Geraldo Resende ocorre em meio a um contexto de insatisfação. O deputado disputou nos bastidores o comando do diretório estadual do PSDB após a saída de Riedel e Reinaldo. Chegou a exigir a presidência para si, mas acabou preterido na escolha que culminou com a nomeação de Beto Pereira — justamente o parlamentar que agora negocia filiação ao Republicanos.
Com a saída de Beto e a permanência de Geraldo e Dagoberto, o PSDB estadual enfrentará o desafio de lançar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados em um cenário político adverso, marcado pela fragmentação da legenda e pela migração de seus principais quadros para outras siglas.



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