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Campo Grande,23/04/2026

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Governo otimista com vacinação contra chikungunya, mas MS enfrenta alta de 72% nos casos

Estado lidera incidência da doença no país e já registra 13 mortes em 2026; especialistas alertam para possível subnotificação e atraso na atualização dos dados


Governo otimista com vacinação contra chikungunya, mas MS enfrenta alta de 72% nos casos (Foto: Divulgação / Agência de Noticias do Mato Grosso do Sul)

Em evento de entrega da medalha Tiradentes nesta quinta-feira (23), o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), manifestou otimismo quanto ao controle epidemiológico da chikungunya no Estado, apostando na vacinação como principal ferramenta de combate. Segundo ele, há estrutura e meios consolidados para enfrentar a doença. "É o trabalho que tem que ser feito e que está sendo feito para superar esse momento mais crítico. Fiquei muito feliz com os dados de vacinação que temos, começando pela dengue. Mato Grosso do Sul é o primeiro colocado no Brasil em eficácia na vacinação, o que também gera uma boa expectativa para a chikungunya", afirmou.

Riedel comparou a chikungunya à dengue, destacando o mesmo modelo de proliferação. "Isso traz uma expectativa muito boa com o início da vacinação contra a dengue. Ainda é uma fase preliminar, de teste, mas nossa cultura e expertise em cobertura vacinal certamente terão um grande impacto na proteção da população no futuro", completou.

Cenário alarmante

Apesar do otimismo do governo, os números da doença no Estado são preocupantes. Nesta quinta-feira, Mato Grosso do Sul chegou a 13 óbitos por chikungunya em 2026. Com epidemia declarada em 21 municípios, o Estado soma 7.599 casos prováveis – um aumento de 42% em relação à semana anterior. A vítima mais recente foi uma mulher de 87 anos, hipertensa, que começou a apresentar sintomas em 8 de abril e morreu no último domingo (19). Idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades formam o principal grupo de risco. Outras duas mortes estão sob investigação da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MS).

Do total de casos prováveis, 3.490 já foram confirmados laboratorialmente, e 4.109 aguardam resultados. Em apenas sete dias, 2.247 pessoas adoeceram. O crescimento em relação a 2025 é ainda mais expressivo: alta de 72% nos casos prováveis acumulados nas primeiras 15 semanas do ano.

Epidemia em expansão

Com a inclusão de Antônio João, Nioaque e Aquidauana, já são 21 cidades em situação de epidemia (incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes). Sete Quedas, Fátima do Sul, Paraíso das Águas, Douradina, Jardim, Amambai, Batayporã, Corumbá, Dourados, Selvíria, Vicentina, Bonito, Costa Rica, Guia Lopes da Laguna, Ladário, Jateí, Angélica e Figueirão completam a lista.

Outros municípios, como Maracaju (299,7), Iguatemi (282,7) e Laguna Carapã (250), estão próximos do patamar epidêmico. Apenas Tacuru, Japorã, Aparecida do Taboado e Alcinópolis não registraram casos em 2026. Na capital Campo Grande, a incidência é baixa: 1,4, com 13 casos prováveis.

Embora as duas últimas semanas apontem uma leve redução nos casos, especialistas recomendam cautela. "Nunca se deve analisar a última semana do boletim, porque o atraso na notificação é de cerca de duas semanas. Portanto, não é possível afirmar com certeza que há queda", explica o infectologista Júlio Croda, da UFMS.

MS como epicentro nacional

Mato Grosso do Sul lidera todos os indicadores nacionais de chikungunya em 2026. A incidência no Estado é de 275,7 casos por 100 mil habitantes — mais de 17 vezes a média do Brasil (15). Goiás aparece em segundo lugar, com 111,3. O Estado concentra 65% das mortes confirmadas no país (13 das 20) e 23,8% dos casos prováveis (7.599 dos 31.909 registrados em todo o Brasil). As vítimas fatais estão em Dourados (8), Jardim (2), Bonito (2) e Fátima do Sul (1). Apenas um dos óbitos foi de uma pessoa sem comorbidades (homem, 55 anos).

Calamidade e emergência

Diante do colapso na rede de atendimento, Dourados decretou situação de calamidade pública em saúde na última segunda-feira (20). O governo federal já havia reconhecido emergência no município no fim de março, liberando mais de R$ 27,5 milhões para contenção do vírus. A Força Nacional do SUS atuou na cidade por um mês. Jardim e Itaporã também decretaram emergência em saúde pública. Entre as medidas possíveis estão compras sem licitação e contratação simplificada de agentes de endemias; em Jardim, o decreto autoriza até a entrada forçada em imóveis com focos do Aedes aegypti.

Vacinação















Itaporã foi a primeira cidade do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya, no dia 18 de abril, com 3 mil doses recebidas (de um total de 20 mil enviadas inicialmente). A meta é imunizar 21,2% do público-alvo — atualmente, pessoas de 18 a 59 anos sem comorbidades. Dourados começa a vacinação na próxima segunda-feira (27). Ao todo, Mato Grosso do Sul recebeu 20 mil doses, com previsão de chegar a 46,5 mil. As doses são distribuídas de forma fracionada, respeitando a capacidade de armazenamento da rede de frio.




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