Transparência Internacional acusa Lula de minimizar escândalo do Banco Master
Presidente Lula, ministro Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci investigada por ganhos milionários com o Banco Master. A organização não governamental Transparência Internacional criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do escândalo do Banco Master, apontando que o petista teria minimizado a gravidade do caso ao fazer "escassas referências à corrupção" em seus pronunciamentos públicos .
A avaliação consta do Relatório Retrospectiva 2025, divulgado pela entidade em fevereiro deste ano, que também analisou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC). O Brasil manteve-se na 107ª posição entre 182 países, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100 — a segunda pior nota da série histórica, iniciada em 2012 .
"Generalized impunity"
Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional Brasil, afirmou que 2025 foi marcado por "impunidade generalizada, inclusive para corruptos confessos, e condutas degradantes de ministros do próprio Supremo Tribunal Federal" . A entidade destacou que o caso Master, investigado pela Operação Compliance Zero, é a maior fraude bancária já registrada no país e evidencia a infiltração do crime organizado nas altas esferas do poder .
O relatório aponta que o governo Lula "fracassou gravemente" ao permitir a captura de agências reguladoras e estatais, mantendo uma "barganha política baseada no excesso de emendas parlamentares" . As emendas impositivas ultrapassaram R$ 60 bilhões no Orçamento de 2026, consolidando o que a ONG chamou de "captura orçamentária" .
Críticas ao STF e recomendações
A Transparência Internacional também criticou o Supremo Tribunal Federal por rejeitar pedidos de suspeição de ministros no âmbito das investigações do Banco Master . A entidade classificou a decisão como um agravamento da "degradação institucional", afirmando que a Corte "continua a garantir ampla impunidade em megacasos de corrupção, inclusive confessados, enquanto seus próprios ministros aparecem com vínculos altamente suspeitos com empresas corruptas que têm casos perante o Tribunal" .
Em publicação nas redes sociais, a ONG afirmou que o STF só poderá recuperar sua credibilidade com uma investigação profunda e independente sobre os fatos . A organização recomendou ainda a criação de um código de conduta para ministros da Corte e a redistribuição do inquérito do Banco Master para magistrados sem conflitos de interesse .
A defesa do governo
Em resposta, a Controladoria-Geral da União (CGU) contestou o uso do IPC como medida direta da corrupção, argumentando que o índice reflete apenas percepções de grupos específicos. O órgão afirmou que o caso do INSS — outro escândalo citado pela Transparência Internacional — exemplifica a atuação do governo, que identificou e interrompeu o esquema, iniciando o ressarcimento das vítimas .
Já o presidente Lula, em entrevista recente, disse ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido no caso Master, citando riscos à imagem do STF . O petista também defendeu que o episódio seja tratado com transparência e que haja explicações consistentes à sociedade . No entanto, a Transparência Internacional sustenta que a postura do presidente foi insuficiente diante da gravidade das revelações.
Ameaça à democracia
Em nota publicada após a prisão de Daniel Vorcaro, a Transparência Internacional Brasil fez um alerta contundente: "Lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal" . A entidade concluiu que "o crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção"



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