Toffoli também viajou em voos de empresas ligadas a Vorcaro
Documentos indicam ao menos dois voos realizados por Dias Toffoli sem registro de pagamento. O chamado "Caso Master" ganhou novos contornos nas últimas horas. Depois de vir a público que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria utilizado aeronaves de empresas ligadas ao grupo Vorcaro, agora surgem informações de que o ministro aposentado Dias Toffoli, também ex-presidente da Corte, teria feito voos semelhantes. As revelações acendem um sinal de alerta no Judiciário e ampliam as suspeitas sobre supostas relações entre magistrados e o empresário Marcos Vorcaro, alvo de investigações que apuram irregularidades na gestão de recursos públicos e possíveis tráfico de influência.
De acordo com documentos e relatos obtidos por veículos de imprensa, Toffoli teria utilizado ao menos duas vezes aeronaves pertencentes a empresas controladas ou associadas ao grupo Vorcaro entre os anos de 2020 e 2022, período em que ainda estava no comando do STF. As viagens, segundo as fontes, teriam ocorrido para deslocamentos dentro do território nacional, sem que houvesse registro oficial de pagamento ou justificativa institucional para o uso das aeronaves.
A reportagem apurou que os voos teriam sido realizados em jatos executivos de pequeno e médio porte, operados por empresas do setor aéreo que integram o complexo de negócios do grupo investigado. Até o momento, não há informações sobre se os voos tiveram caráter pessoal, político ou institucional, tampouco se houve contrapartida financeira ou qualquer tipo de contrato formal entre Toffoli e as empresas.
O que é o "Caso Master"
O chamado "Caso Master" tem como pano de fundo investigações que envolvem o empresário Marcos Vorcaro, dono de um conglomerado de empresas que atuam nos ramos de transporte, logística, energia e comunicação. Vorcaro é alvo de apurações que buscam esclarecer supostas irregularidades em contratos públicos, uso de empresas de fachada e possíveis doações não declaradas a campanhas eleitorais. Nos últimos meses, o nome do empresário passou a ser associado a magistrados do STF após a revelação de que Alexandre de Moraes teria utilizado aeronaves do grupo para viagens de lazer.
Na ocasião, Moraes afirmou que os voos foram realizados com o conhecimento das partes envolvidas e que não houve qualquer favorecimento em decisões judiciais. O ministro também sustentou que as aeronaves foram usadas em momento anterior à deflagração de investigações contra Vorcaro, o que afastaria, em tese, a configuração de conflito de interesses.
Toffoli na mira
Com a nova revelação envolvendo Dias Toffoli, a situação se complica. Diferentemente de Moraes, Toffoli já deixou o STF, tendo se aposentado em 2024. No entanto, à época das supostas viagens, ele ainda ocupava uma cadeira na Corte e, em alguns momentos, acumulava a presidência do tribunal — o que torna o episódio ainda mais sensível do ponto de vista ético e regulamentar.
Parlamentares da oposição já protocolaram pedidos de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Ministério Público Federal (MPF). Em notas oficiais, deputados e senadores afirmam que é necessário "apurar se houve quebra de decoro, tráfico de influência ou qualquer tipo de privilégio incompatível com a função pública". Alguns chegam a pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações entre magistrados e empresários.
Defesas
Procurado, o ministro aposentado Dias Toffoli ainda não se manifestou oficialmente sobre as novas informações. Nos bastidores, aliados do ex-presidente do STF afirmam que os voos foram realizados de forma lícita e que não há qualquer ilegalidade ou favorecimento. A defesa de Toffoli deverá sustentar que as viagens ocorreram antes de qualquer investigação formal contra Vorcaro e que não interferiram em decisões judiciais.
Já o grupo Vorcaro, por meio de sua assessoria, informou que "todas as suas atividades são realizadas dentro da mais estrita legalidade" e que "a utilização de aeronaves por autoridades, quando ocorreu, foi feita com total transparência e sem qualquer contrapartida ou benefício indevido".
Próximos passos
O episódio promete se desdobrar nos próximos dias. O CNJ deverá avaliar se há indícios suficientes para abrir um procedimento administrativo contra Toffoli, mesmo após sua aposentadoria. Além disso, o MPF pode decidir por investigar os fatos no âmbito criminal, especialmente se forem encontrados elementos que sugiram tráfico de influência ou prevaricação.
Enquanto isso, o "Caso Master" se consolida como um dos maiores escândalos envolvendo o Judiciário brasileiro nos últimos anos, colocando em xeque a imparcialidade de ministros do STF e abrindo espaço para um debate mais amplo sobre os limites éticos das relações entre magistrados e figuras do mundo empresarial.



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