Pacote de estímulos não reage nas pesquisas e Lula ativa o “modo desespero”
Estratégia inspirada no americano Biden fracassa no Brasil e especialistas apontam pulverização de recursos e desgaste acumulado como causas. A estratégia do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de repetir a cartilha do ex-presidente americano Joe Biden — injetando bilhões em estímulos econômicos para tentar reverter a queda de popularidade — tem produzido um efeito colateral indesejado: o dinheiro público foi liberado, mas o termômetro das pesquisas eleitorais segue congelado. Diante da frustração, aliados relatam que o Palácio do Planalto acionou o chamado "modo desespero".
Nos últimos meses, a equipe econômica e a articulação política do governo aceleraram a liberação de emendas parlamentares, a ampliação de programas sociais e o anúncio de investimentos em obras regionais. A ideia era clara: repetir o fenômeno observado nos Estados Unidos, onde o American Rescue Plan injetou US$ 1,9 trilhão na economia e elevou temporariamente a aprovação de Biden. No entanto, os resultados no Brasil têm sido decepcionantes para a equipe presidencial.
Levantamentos internos e pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas mostram que a popularidade de Lula não apenas estagnou, como apresenta sinais de desgaste em segmentos antes considerados fiéis, como o eleitorado nordestino e as classes mais baixas. O "efeito Biden" — a expectativa de que dinheiro novo gerasse votos novos — simplesmente não se concretizou.
Em reuniões de emergência no Planalto, segundo fontes ouvidas pela reportagem, o presidente teria demonstrado irritação com a falta de retorno eleitoral dos investimentos. "Estamos fazendo a nossa parte, mas o povo parece não enxergar", teria dito Lula a ministros próximos. O tom de cobrança se intensificou, e o "modo desespero" foi ativado: reuniões com centrais sindicais, acenos a partidos do centrão e até estudos para antecipar novas medidas de impacto econômico estão na mesa.
Analistas políticos apontam que o fracasso do "efeito Biden" no Brasil pode estar ligado a três fatores principais: a percepção de que os recursos chegam de forma pulverizada e sem resultados concretos no dia a dia do cidadão; o desgaste acumulado por escândalos e crises institucionais; e a força de uma oposição que tem conseguido pautar o debate público com temas sensíveis, como inflação, segurança pública e corrupção.
Enquanto isso, nos bastidores, a expressão "modo desespero" já virou sinônimo de decisões apressadas. Entre elas, a tentativa de antecipar a liberação de parcelas do Bolsa Família, a pressão por obras-relâmpago em municípios-chave e o aumento de viagens presidenciais para agendas de entrega de equipamentos públicos. A pergunta que circula nos corredores do poder é: será que alguma dessas medidas ainda conseguirá reverter o quadro a tempo?
Por ora, a resposta das urnas imaginárias tem sido silêncio. E o silêncio, no vocabulário político, costuma ser ensurdecedor.



COMENTÁRIOS