Conflito no Oriente Médio acende alerta no agro de MS com alta do diesel e ameaça aos custos de produção
Foto: Reprodução A escalada do conflito no Oriente Médio e a alta do óleo diesel em pleno período de colheita da soja acenderam o sinal de alerta na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). A entidade acompanha com preocupação os desdobramentos da guerra e seus reflexos sobre o agronegócio estadual, especialmente no que diz respeito à elevação dos custos de produção e à pressão sobre o plantio das próximas safras.
Em nota, a Federação destacou que o óleo diesel é um insumo essencial tanto para as operações no campo quanto para o escoamento da produção. "A principal preocupação é o aumento do custo do óleo diesel", afirmou, lembrando que o agravamento do conflito coincide justamente com a colheita da soja e o início do plantio da segunda safra de milho, períodos de alta demanda por combustível.
Ao Jornal Midiamax, a Famasul informou que já há registro de dificuldades de abastecimento e elevação de preços em alguns estados, o que pode agravar ainda mais os custos para os produtores rurais sul-mato-grossenses. A entidade alerta que esse novo aumento ocorre em um cenário já desafiador, marcado por juros elevados, endividamento crescente e margens de lucro cada vez mais apertadas.
"Um novo aumento nos custos pode pressionar sobremaneira a capacidade de investimento e a intenção de plantio nos próximos ciclos", pontuou a Federação.
Fertilizantes e comércio exterior sob risco
Outro ponto crítico monitorado pela Famasul é o impacto do conflito sobre os preços dos fertilizantes. O Brasil depende fortemente da importação desses insumos, e o Oriente Médio tem participação relevante nesse mercado. A instabilidade nas rotas marítimas também pode elevar os custos com frete e seguro, agravando ainda mais a situação.
Mato Grosso do Sul, que mantém forte relação comercial com os países do Oriente Médio, pode ser particularmente afetado. Em 2025, cerca de 44% das exportações de milho do estado tiveram como destino a região, além de volumes expressivos de carne de frango.
CNA propõe medidas para conter alta do diesel
Diante desse cenário, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) protocolou na terça-feira (10) um pedido ao Ministério da Fazenda e ao Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) solicitando a redução imediata e temporária das alíquotas de tributos federais e estaduais incidentes sobre o óleo diesel.
A entidade também defende o avanço da mistura obrigatória de biodiesel para 17% (B17), medida que, segundo a Famasul, pode ampliar a oferta de combustível no mercado interno e ajudar a conter os preços.
A Federação sul-mato-grossense reforçou que continuará acompanhando de perto o cenário internacional e seus possíveis reflexos sobre os custos de produção, a logística e o comércio exterior do agronegócio estadual.



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