Após liquidação de bancos, consumidores têm dívidas “fantasmas” registradas no nome pelo BRB
Banco de Brasília (BRB). Clientes do extinto Banco Master e do Will Bank estão descobrindo dívidas registradas ilegitimamente em seus nomes no Banco Central. A situação veio à tona quando consultaram o Registrato, plataforma do BC, e encontraram pendências creditícias atribuídas ao Banco de Brasília (BRB), sem nunca terem contratado serviços com a instituição ou após já terem quitado seus débitos.
O problema tem origem na liquidação extrajudicial dos dois bancos, alvos de investigação da Polícia Federal por um suposto esquema de fraude. Nesse processo, o BRB adquiriu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito dessas instituições, o que acarretou o repasse dos dados dos clientes. No entanto, a atualização das situações de pagamento não ocorreu.
Em nota, o BRB atribuiu a falha ao liquidante judicial, Eduardo Bianchini, responsável pelo Will Bank e pelo Banco Master. A instituição afirmou que deixou de receber as informações necessárias para atualizar o sistema após a liquidação, fazendo com que contratos já pagos ainda constem como ativos ou inadimplentes. Procurado, o liquidante não se pronunciou.
Divergência sobre a responsabilidade
Especialistas apontam que, embora a cessão de carteiras seja prática comum no mercado, a responsabilidade pela precisão das informações é do banco que as detém atualmente.
Para advogados e professores consultados, o BRB não pode transferir essa responsabilidade a terceiros. “O banco precisa fornecer informações corretas ao consumidor. Pode não ter culpa pelo problema, mas é responsável por apresentar uma solução”, afirmou Gustavo Kloh, da FGV Direito Rio. A legislação também exige que o consumidor seja formalmente notificado sobre a transferência de seus créditos, o que aparentemente não ocorreu.
Impactos concretos e reclamações em alta
Os prejuízos para os consumidores são reais. Um cliente relatou ter tido um financiamento imobiliário negado devido a uma dívida vencida indevida de cerca de R$ 10 mil registrada pelo BRB.
As reclamações disparam. No site Reclame Aqui, os relatos de problemas semelhantes cresceram 326% no segundo semestre de 2025, comparado ao mesmo período de 2024. Em janeiro deste ano, foram cerca de 100 queixas. Muitos consumidores detalham valores vultosos, como uma dívida de cartão de crédito de R$ 19,6 mil, mesmo sem nunca terem sido clientes do BRB.
Orientação para os consumidores
Especialistas orientam que os afetados devem:
- Solicitar por escrito ao BRB informações detalhadas sobre a origem e o valor do débito.
- Se a dívida for indevida, formalizar uma reclamação com protocolo e exigir a correção imediata nos sistemas e o fim da cobrança.
- Caso não haja solução administrativa, buscar a via judicial.
Em sua nota, o BRB afirmou ter feito conciliações internas, solicitado formalmente ao liquidante as informações faltantes e que está pronto para corrigir os dados assim que recebê-las.



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