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Campo Grande,03/02/2026

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Avanço da direita na América Latina, com foco na segurança, sinaliza tendência para o Brasil


Avanço da direita na América Latina, com foco na segurança, sinaliza tendência para o Brasil Presidente argentino Javier Milei e o Presidente chileno José Antonio Kast.

Nas últimas eleições e pesquisas de opinião pela América Latina, um movimento político tem ganhado força: uma ascensão de lideranças e propostas frequentemente associadas à direita do espectro ideológico, com a segurança pública como bandeira central. Esse fenômeno, por alguns analistas chamado de “onda conservadora” ou “virada à direita”, não é homogêneo, mas aponta para um deslocamento no eixo do debate político continental, que pode sinalizar tendências importantes para o Brasil.

O contexto é marcado por um cansaço generalizado em relação a governos de esquerda ou centro-esquerda que, em vários países, enfrentaram crises econômicas, aumento da pobreza e, de forma mais aguda e visível, uma escalada na violência e no crime organizado. A sensação de insegurança, alimentada por altas taxas de homicídio, expansão do narcotráfico e ataques a cidadãos comuns, tornou-se o motor principal do debate eleitoral. Em resposta, figuras políticas têm capitalizado esse sentimento, prometendo mão firme, maior autonomia e poderes para as forças policiais, endurecimento de penas e políticas de tolerância zero.

Exemplos recentes ilustram essa tendência. Na Argentina, a vitória de Javier Milei, com um discurso fortemente anti-establishment e promessas de combate radical à criminalidade, é a expressão mais disruptiva. No Equador, onde o crime organizado transformou o país em um dos mais violentos da região, o presidente Daniel Noboa decretou “guerra interna” contra gangues, com forte aprovação popular. Anteriormente, a vitória de José Antonio Kast no Chile (que, embora não eleito, obteve votação massiva no segundo turno) e a contínua popularidade de figuras como Nayib Bukele em El Salvador (cujo modelo de segurança, apesar das críticas a direitos humanos, é amplamente admirado) mostram que o apelo por ordem e resultados imediatos ressoa profundamente.

Este cenário não passa despercebido no Brasil. A questão da segurança pública já ocupa, há anos, um lugar de destaque na agenda nacional e nas preocupações dos eleitores. O sucesso aparente de modelos como o de Bukele, amplamente divulgado nas redes sociais e em círculos políticos conservadores, serve como referência e pressiona por respostas consideradas eficazes e rápidas. A retórica que associa punição severa e encarceramento em massa à redução da violência ganha espaço no debate público, desafiando abordagens mais focadas em prevenção social e direitos humanos.

Analistas políticos sugerem que essa atmosfera continental pode influenciar o cenário eleitoral brasileiro, tanto nas eleições municipais de 2024 quanto nas presidenciais de 2026. Candidatos e partidos devem se posicionar diante dessa demanda por segurança, possivelmente adotando uma linguagem mais dura e propondo medidas mais repressivas para conquistar eleitores. A polarização política no Brasil pode se acentuar ainda mais em torno deste tema, com a esquerda sendo desafiada a apresentar alternativas críveis que não soem brandas aos olhos de uma população amedrontada.

Contudo, é preciso cautela ao falar em “onda” única. Cada país tem suas particularidades, e a direita latino-americana é diversa, variando desde liberais econômicos radicais até conservadores nacionalistas. Além disso, os eleitorados são voláteis, e promessas de segurança total podem esbarrar na complexidade estrutural do problema, que envolve desigualdade, falhas do sistema judiciário e corrupção.

O que parece claro, no entanto, é que a segurança pública se tornou o novo campo de batalha eleitoral na América Latina. Seu poder de mobilizar votos e definir resultados é inegável. Para o Brasil, observar esse movimento continental não é apenas um exercício acadêmico, mas uma forma de antever os temas que dominarão o discurso político nos próximos anos, moldando propostas, alianças e, possivelmente, o próprio destino da nação em um continente que parece estar redefinindo suas prioridades de forma cada vez mais contundente.




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