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Campo Grande,03/02/2026

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Adiamento de acordo União Europeia–Mercosul aponta novo fracasso da diplomacia de Lula


Adiamento de acordo União Europeia–Mercosul aponta novo fracasso da diplomacia de Lula Lula se vendeu como grande negociador mas até agora se mostrou um verdadeiro "nânico" diplomático.

A realização da COP-30 em Belém, em 2025, deveria ter sido o palco da consagração da diplomacia ambiental e comercial do governo Lula. Sob o símbolo da Amazônia, a expectativa era que o Brasil liderasse, com autoridade moral renovada, a conclusão do histórico acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, um pacto duas décadas em gestação. No entanto, o que se seguiu foi outro adiamento – mais um – nas negociações. Este revés não é um mero contratempo burocrático; ele expõe de maneira crua as contradições e limitações da atual política externa brasileira, apontando para um fracasso diplomático de proporções significativas.

O governo Lula retornou ao Planalto prometendo a reinserção soberana do Brasil no mundo, com base em três pilares: a defesa intransigente da soberania amazônica, a reativação do multilateralismo sul-americano e a obtenção de conquistas comerciais concretas que beneficiassem a indústria nacional. O acordo com a UE era a encarnação perfeita desse projeto ambicioso. Sua conclusão seria um triunfo que conjugaria proteção ambiental, integração regional e acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores.

A crítica ao governo, neste ponto, é direta: a diplomacia de Lula mostrou-se mais habilidosa na retórica do que na execução. A COP-30, apesar de seu simbolismo, não foi suficiente para destravar os nós políticos que impedem o acordo. O governo subestimou a profundidade das resistências internas e externas.

Internamente, o presidente falhou em construir um consenso nacional em torno do tratado. Setores do agronegócio permanecem receosos das cláusulas ambientais, vistas como barreiras não tarifárias disfarçadas, enquanto a indústria, apoiadora do acordo, clama por mais salvaguardas contra a concorrência europeia. Lula, em seu estilo conciliador que muitas vezes beira a ambiguidade, não conseguiu impor uma posição unificada ao país, deixando brechas que a bancada ruralista e certos setores industriais exploram para minar as negociações.

Externamente, a postura de "não se curvar a exigências" e de defender a soberania a qualquer custo – embora legítima em tese – cristalizou-se em uma rigidez contraproducente. A União Europeia, pressionada por um parlamento e uma sociedade civil cada vez mais verdes, não cederá em seus pontos centrais sobre padrões sanitários e ambientais. A insistência brasileira em tratar todas as demandas europeias como "colonialismo verde" ou protecionismo, sem oferecer contrapartidas críveis e verificáveis, emperrou o diálogo. A diplomacia brasileira, que outrora soubera ser pragmática, parece ter trocado a flexibilidade tática por um princípio inflexível que, no fim, isola o país.

O maior fracasso, no entanto, talvez seja no âmbito regional. A revitalização do Mercosul era condição sine qua non para qualquer negociação séria. No entanto, o bloco segue enfermo, com membros desalinhados (como a Argentina de Milei, crítica ferrenha do acordo) e uma agenda interna paralisada. Lula não conseguiu, até agora, revigorar o Mercosul como projeto político e econômico coeso. Sem uma união aduaneira efetiva e uma voz harmonizada, a posição negociadora do bloco é frágil. A diplomacia brasileira concentrou-se excessivamente no eixo bilateral Brasil-UE, negligenciando o paciente e necessário trabalho de costura interna no Mercosul.

O adiamento pós-COP-30 tem um custo tangível. Enquanto o acordo patina, o Brasil perde oportunidades de investimento, diversificação econômica e ganhos de produtividade. Países competidores assinam seus próprios acordos com a UE e outros mercados, enquanto nossa indústria fica para trás. O "multilateralismo dos pobres" ou as aproximações geopolíticas com China, Irã e Rússia – ainda que importantes para a autonomia estratégica – não compensam o preço de fecharmos as portas a um acordo que modernizaria nossa economia e ancoraria o país a padrões globais de produção.

Conclui-se, portanto, que o governo Lula, apesar de ter resgatado a credibilidade ambiental do Brasil e seu prestígio diplomático após os anos de isolamento bolsonarista, está falhando na hora de converter esse capital político em resultados concretos e duradouros. A diplomacia, que se quer altiva, tornou-se, em aspectos cruciais, imóvel. O adiamento do acordo UE-Mercosul não é apenas mais um capítulo de uma longa novela. É o sintoma de uma estratégia que, ao buscar defender a soberania de todos os ventos, arrisca-se a naufragar no porto, deixando para o Brasil e para o Mercosul o amargo legado da oportunidade perdida. A crítica não é ao objetivo, mas à falta da habilidade e do pragmatismo necessários para alcançá-lo.




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