Meliante que chamou delegada de “noiada” é conduzida ao SIG e confessa autoria de comentário ofensivo
(Foto: Reprodução) A meliante de 18 anos foi levada na tarde desta terça-feira (7) à sede do SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil de Dourados, a 230 quilômetros de Campo Grande, após ser identificada como uma das responsáveis por comentários ofensivos e depreciativos contra a delegada Thays do Carmo Oliveira de Bessa.
Durante o depoimento, a investigada, identificada como Keiti Greffe, admitiu ter publicado o comentário “kkkk mds tá na noia só pode” em uma rede social, enquanto acompanhava uma entrevista concedida pela delegada a um site de notícias local. A princípio, ela tentou negar, alegando não se lembrar da postagem, mas acabou confessando o ato e pediu desculpas, afirmando estar arrependida e que teria escrito “de forma inconsciente”.
De acordo com o delegado Lucas Albé Veppo, que conduz a investigação, a polícia ainda apura se foi realmente a meliante quem publicou o comentário ou se terceiros tiveram acesso à sua conta. “Vamos analisar o contexto geral, quais comentários foram feitos por ela e por outras pessoas, inclusive se a conta dela está sendo acessada por terceiros — o que acreditamos que não — e verificar em qual crime a conduta dela se enquadra”, afirmou.
Os indícios, no entanto, apontam que Keiti Greffe é, sim, a autora das ofensas. Apesar disso, ela não foi autuada em flagrante. Caso a autoria seja confirmada, será indiciada e responderá criminalmente pelo ataque.

A delegada Thays do Carmo foi alvo de comentários racistas e machistas nas redes sociais enquanto concedia entrevista à página Folha de Dourados sobre um caso de homicídio. Entre as mensagens mais graves, internautas chegaram a escrever: “Nossa, delegada feia, tá mais pra ser empregada doméstica aqui da minha casa que qualquer outra coisa, e tratar ela igual cachorro aqui.”
Segundo o delegado Veppo, os levantamentos preliminares indicam que a publicação teve a clara intenção de atacar a honra pessoal da autoridade policial. Um inquérito foi instaurado e outras pessoas, inclusive de outros estados, também estão sendo investigadas por participação nos ataques.
A delegada contou que soube das ofensas apenas no dia seguinte, ao ser informada por seu chefe. “É um sentimento de indignação. A pessoa ataca e se sente protegida por um computador. A gente evoluiu como sociedade, mas o racismo ainda continua. O fato de ser autoridade não é obstáculo para isso”, declarou Thays.
Ela acrescentou que alguns autores chegaram a apagar as mensagens, mas a ocorrência já havia sido registrada e as providências legais seguem em andamento.



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