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Campo Grande,16/03/2026

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Surtos de raiva e estratégia de delação marcam dias de Vorcaro na prisão


Surtos de raiva e estratégia de delação marcam dias de Vorcaro na prisão Banqueiro Daniel Vorcaro.

Os dias de Daniel Vorcaro na Penitenciária Federal têm sido marcados por episódios de extrema instabilidade emocional. Preso desde a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, o ex-banqueiro dono do Banco Master apresentou surtos de raiva que levaram a comportamentos agressivos contra o próprio corpo e o ambiente da cela.

De acordo com fontes próximas à investigação, Vorcaro chegou a socar as paredes da cela em momentos de crise, além de gritar nomes de autoridades em meio a acessos de fúria. Os episódios teriam se intensificado nos últimos dias, à medida que o banqueiro processa a dimensão das acusações que enfrenta e a perspectiva de uma longa permanência no sistema penitenciário federal.

O comportamento explosivo contrasta com a frieza calculada que Vorcaro demonstrava nos bastidores do poder, onde cultivava relações com integrantes da alta cúpula dos Três Poderes. Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro mantinha contato próximo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) .

A estratégia da delação

Enquanto lida com a instabilidade emocional, Vorcaro também articula nos bastidores os termos de uma possível delação premiada. A informação é que a ideia inicial do banqueiro é mirar políticos em seus depoimentos, mas poupar integrantes do Supremo Tribunal Federal — especialmente o ministro Alexandre de Moraes, com quem mantinha uma relação próxima e frequente .

A estratégia revela um cálculo político delicado: ao delatar parlamentares e outras autoridades, Vorcaro tentaria preservar sua rede de contatos no Judiciário, apostando que esses nomes poderiam, de alguma forma, influenciar positivamente seu destino processual. Em mensagens obtidas pela PF, o banqueiro demonstrava ter Moraes em sua lista de contatos diretos, com trocas de mensagens inclusive no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025 .

"Conseguiu bloquear?", perguntou Vorcaro a Moraes na ocasião, em referência a algo que até hoje não foi esclarecido. O ministro teria respondido com mensagens de visualização única, que desaparecem após a leitura .

"Queria saber de tudo no detalhe"

Entre as autoridades que Vorcaro planeja detalhar em sua delação está o presidente da Câmara, Hugo Motta. Em mensagens enviadas à então namorada Martha Graeff, o banqueiro relatou encontros com o parlamentar que se estendiam até a madrugada, sempre com um tom de curiosidade minuciosa por parte do deputado .

"Hugo saiu daqui quase 3h da manhã. Queria saber de tudo no detalhe", escreveu Vorcaro em 8 de maio de 2025, após uma reunião em sua mansão no Lago Sul, área nobre de Brasília . A namorada reagiu com surpresa: "Wow, amor. Você nem dormiu então" .

As mensagens indicam que os encontros eram frequentes e ocorriam em diferentes contextos. Em 26 de fevereiro de 2025, Vorcaro informou à companheira que participava de um jantar na "residência oficial" com Motta e outros seis empresários . Em 8 de março, relatou ter encontrado o deputado no aeroporto de Brasília e que se reuniriam mais tarde .

Em 20 de março, uma das mensagens mais reveladoras: Vorcaro disse a Graeff que estava em casa quando "Hugo e Ciro chegaram aqui para falarem com Alexandre" — referência a um encontro que reuniu Motta, o senador Ciro Nogueira e o ministro Alexandre de Moraes .

Relações com Ciro Nogueira

O senador Ciro Nogueira também ocupa posição de destaque nas conversas. Vorcaro o descrevia como um "grande amigo de vida" e celebrou quando o parlamentar apresentou um projeto de lei que beneficiava bancos médios como o Master, ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão .

A investigação também encontrou registros de pagamentos a uma pessoa identificada como "Ciro" nas conversas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do grupo. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que não recebeu valores .

O cálculo político

A decisão de Vorcaro de poupar ministros do STF em sua delação revela não apenas uma estratégia processual, mas o reconhecimento de que suas conexões no Judiciário podem ser seu principal ativo em meio à crise. Ao mesmo tempo, ao mirar políticos, ele tenta oferecer à força-tarefa da Operação Compliance Zero aquilo que mais interessa em investigações de grande porte: a exposição das conexões entre o poder econômico e o político.

O comportamento explosivo na prisão, no entanto, acende um alerta sobre o estado emocional do banqueiro. Os surtos de raiva, as agressões contra a parede e os gritos com nomes de autoridades sugerem que Vorcaro enfrenta dificuldades para lidar com o isolamento e a pressão — fatores que podem influenciar tanto sua disposição para colaborar quanto a credibilidade de seus eventuais depoimentos.

Enquanto isso, as investigações avançam. A Polícia Federal continua analisando o vasto material apreendido, incluindo mensagens, e-mails e registros de voos que demonstram a extensão da rede de contatos de Vorcaro nos Três Poderes . O desfecho dessa teia de relações, agora exposta, promete movimentar o cenário político e jurídico nos próximos meses.




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