Recuperação judicial no agro envolve banco de Vorcaro e expõe risco de crédito sem garantia
Empresário Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. A estratégia de Daniel Vorcaro para expandir negócios com o agronegócio, por meio da aquisição de uma instituição financeira, agora está no centro de um processo bilionário de recuperação judicial que tramita em Mato Grosso do Sul. O ex-banqueiro, dono do Banco Master e atualmente preso por envolvimento em uma das maiores fraudes bancárias do país nos últimos anos, comprou em 2024 o banco Voiter — antigo Indusval, especializado em custeio para grandes players do setor agropecuário. A instituição foi rebatizada como Banco Pleno e integrada ao conglomerado do Master.
Um dos principais clientes desse banco era o Grupo Sperafico Agroindustrial, sediado no Paraná, mas com forte atuação em Mato Grosso do Sul, onde concentrava sua produção e operações financeiras mais expressivas. O grupo atuava no comércio atacadista de cereais e na fabricação de óleos vegetais, com filiais em cidades como Aral Moreira, Ponta Porã e Bataguassu. No auge, em 2007, chegou a faturar R$ 1,2 bilhão com o cultivo de soja, milho e trigo.
Em 2022, porém, a Sperafico ingressou com pedido de recuperação judicial, alegando dívidas que somam R$ 1,3 bilhão. O processo foi protocolado na Justiça Estadual de Mato Grosso do Sul. Entre os credores, o Voiter — hoje Pleno — aparece com uma dívida de R$ 89,9 milhões, a terceira maior do grupo. À frente estão o Banco do Brasil (R$ 453,2 milhões) e a Imcopa (R$ 198,7 milhões).
O crédito do Voiter foi classificado como quirografário, ou seja, sem garantias reais como hipoteca ou penhor, baseado apenas em contratos e duplicatas. Em processos de recuperação judicial, esse tipo de dívida ocupa a última posição na fila de pagamentos.
Em fevereiro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, citando “deterioração da situação de liquidez” e infrações às normas do setor. A medida atinge também a Pleno DTVM. Apesar da intervenção, a dívida com a Sperafico permanece e agora deverá ser cobrada junto ao liquidante nomeado pelo BC. A transferência do controle do banco para Augusto Lima, em agosto do ano passado, não impediu o colapso da instituição, cujas raízes remontam à gestão de Vorcaro.



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