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Campo Grande,07/03/2026

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Ex-deputado Sérgio Assis é alvo de operação por golpe de R$ 70 milhões contra produtor rural


Ex-deputado Sérgio Assis é alvo de operação por golpe de R$ 70 milhões contra produtor rural Produtor rural revela que perdeu R$ 70 milhões e aeronave em golpe aplicado por Sérgio Assis.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quarta-feira (4) a Operação Agro-Fantasma, que investiga um esquema de fraude estruturada contra produtores rurais nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O ex-deputado estadual Sérgio Assis, seu filho Mário Sergio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso são apontados como os principais responsáveis por um golpe que causou prejuízo superior a R$ 70 milhões a um produtor rural de 56 anos.

As investigações tiveram início em 24 de fevereiro, quando a vítima procurou a polícia mato-grossense para denunciar as empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria, controladas pelo grupo. Segundo o boletim de ocorrência, o produtor foi abordado ainda em 2025 por um corretor de grãos identificado como Rafael, que se apresentou como representante das empresas e garantiu que o grupo possuía "robustez financeira, grande lastro patrimonial e ampla capacidade operacional".

A Construção da Confiança

De acordo com a investigação, o corretor chegou a afirmar que Sérgio Assis responderia pessoalmente por eventual inadimplemento, o que ajudou a convencer a vítima a iniciar as tratativas. As primeiras operações de venda de soja foram realizadas regularmente, com todos os pagamentos quitados — em uma ocasião, 17 caminhões chegaram a ficar retidos até a compensação bancária, sendo liberados somente após a confirmação do pagamento.

Com a confiança estabelecida, Pedro Henrique Cardoso e Mário Sergio Cometki Assis passaram a visitar pessoalmente o produtor em seu comércio. Foi então que solicitaram que ele passasse a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, sob a promessa de que o grupo quitaria integralmente os valores nas datas ajustadas.

Acreditando nos suspeitos, a vítima assumiu compromissos que ultrapassaram a casa dos R$ 70 milhões. Os pagamentos ocorreram normalmente até novembro, mas em dezembro — justamente o mês em que venciam as parcelas de maiores valores — os investigados simplesmente pararam de realizar os pagamentos, deixando o produtor responsável pelas dívidas assumidas com outros fornecedores.

Aeronave e Empréstimos Bancários

O prejuízo da vítima não se limitou às operações com grãos. Quando os pagamentos ainda ocorriam regularmente, o produtor chegou a vender uma aeronave ao grupo pelo valor de R$ 5.817.660,00, recebendo apenas R$ 2.071.563,03 — menos da metade do acordado.

No mesmo período, a vítima realizou empréstimos junto a cooperativas no valor de R$ 16 milhões, valores que foram integralmente repassados ao grupo. Posteriormente, contraiu mais R$ 5 milhões com outro banco para honrar compromissos com produtores e foi obrigado a prorrogar financeiramente R$ 2,5 milhões.

Na manhã desta quarta-feira, policiais conseguiram recuperar a aeronave em um hangar de manutenção em Campo Grande, onde estava para reparos. O bem será utilizado como prova no inquérito e poderá ser restituído à vítima ao final do processo.

O Esquema "Agro-Fantasma"

A operação deflagrada nesta quarta cumpre mandados em Mato Grosso e na capital sul-mato-grossense. As investigações apontam que a empresa se apresentava com "roupagem de solidez" para aplicar golpes estruturados na compra de grãos.

O modus operandi do grupo consistia em convencer as vítimas a utilizarem o nome de suas propriedades para fazer compras a prazo de grãos. Os produtos eram então revendidos à vista pela empresa para indústrias. Os valores das compras a prazo seriam quitados pelo grupo, mas apenas nos primeiros meses os débitos foram pagos corretamente. Após certo período, os investigados simplesmente deixavam de quitar as dívidas contraídas, deixando o produtor rural com o prejuízo.

Após adquirir a confiança de uma das vítimas — justamente o produtor que procurou a polícia —, o grupo realizou diversas compras de grãos, causando uma inadimplência superior a R$ 58 milhões apenas a ele.

O Antecedentes do Ex-deputado

Sérgio Assis, que comandava as empresas investigadas, tem histórico de envolvimento em controvérsias judiciais. Em 2015, o ex-deputado chegou a ser condenado a seis anos de prisão em regime semiaberto por exploração sexual de adolescente, depois de ter sido flagrado em encontro com uma menor de idade.

No entanto, foi absolvido em 2018. Os desembargadores entenderam que Assis foi atraído pela adolescente por meio de conversa em rede social e que não sabia que a menina era explorada sexualmente por terceiros nem que seria filmado.

Assis exerceu mandato de deputado estadual pelo PSB de 2003 a 2006, período em que presidiu o partido em Mato Grosso do Sul. Em 2006, concorreu como vice-governador na chapa de Delcídio do Amaral. Foi suplente de deputado federal nas eleições de 2010 e disputou novamente uma vaga na Assembleia Legislativa em 2014, sem sucesso.

A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados para manifestação sobre as acusações. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.




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